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Arquivo da Categoria ‘Serviços Especializados’

Tratamento da depressão bipolar

O Dr. Alberto Del Porto, psiquiatra, professor titular da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), esteve no Instituto Bairral para falar sobre o tratamento medicamentoso da depressão bipolar no encontro mensal do Centro de Estudos Psiquiátricos Américo Bairral (Cepab), em evento que teve o apoio da indústria farmacêutica Daichii Sanchio. O palestrante abordou os principais guidelines internacionais (Canadá e Florida) que recomendam uma série de medicamentos que já foram avaliados de forma mais sistemática e possuem maior evidência científica para formular recomendações para a prática clínica do psiquiatra que lida em seu dia-a-dia com esta doença que afeta cerca de 3% a 4% da população mundial e causa muitos danos e prejuízos pessoais, laborais e familiares aos seus portadores. Destaque para a medicação lurasidona, ainda não lançada no Brasil (aguarda aprovação das agências regulatórias nacionais) e que já vem sendo avaliada pelos especialistas de outros países como mais uma alternativa importante no arsenal medicamentoso para tratar a depressão bipolar, com vantagens sobre o perfil de efeitos colaterais, com menor ganho de peso e menos distúrbios metabólicos que outros antipsicóticos disponíveis no mercado atualmente. A diretoria do Cepab agradece ao Dr. Del Porto pela rica oportunidade em partilhar seus vastos conhecimentos sobre o tema e à Daichii Sanchio pela oportunidade em facilitar e intermediar a vinda do renomado professor à nossa instituição.

Dr. Alberto Del Porto, psiquiatra, professor titular da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), esteve no Instituto Bairral para falar no encontro mensal do Centro de Estudos Psiquiátricos Américo Bairral (Cepab).

Dr. Alberto Del Porto, psiquiatra, professor titular da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), esteve no Instituto Bairral para falar no encontro mensal do Centro de Estudos Psiquiátricos Américo Bairral (Cepab).

Primeiro GEP do ano tem como tema central os processos de luto

O Grupo de Estudos Psicanalíticos (GEP) do Instituto Bairral, que é mais uma das iniciativas desenvolvidas e apoiadas pelo Centro de Estudos Psiquiátricos Américo Bairral (Cepab), iniciou suas atividades no ano de 2017 com um encontro virtual com o Dr. Hemerson Ari Mendes, psicanalista e atual presidente da Sociedade Psicanalítica de Pelotas (RS). Desta feita, os médicos-residentes em psiquiatria do terceiro ano Dr. Paulo Roberto Santana e Dr. Rayli Sales apresentaram um belíssimo e generoso material clínico por meio de um caso clínico que foi supervisionado pela psicóloga Marina Caversan Oliveira de Souza (coordenadora do setor de psicologia do Instituto Bairral), o qual trouxe como tema central das discussões os processos de luto. O Dr. Hemerson explicou alguns dos processos de luto chamados normais ou esperados para as diversas fases dos ciclos de vida dos humanos e também aqueles que causam adoecimentos como a depressão crônica, a melancolia, o surgimento de sintomas somáticos e obsessivos e tantas outras neuroses e sofrimentos psíquicos diversos. Foram abordados também os requisitos e competências para um bom psicoterapeuta, a importância de identificar e lidar com sua contratransferência, além do papel que os sintomas desempenham na vida de um indivíduo. Os participantes gostaram muito da atividade e convidam outros profissionais da instituição para se juntarem ao grupo a fim de enriquecer as discussões e o aprendizado.

Grupo de Estudos Psicanalíticos (GEP) apoiados pelo Centro de Estudos Psiquiátricos Américo Bairral (Cepab).

Grupo de Estudos Psicanalíticos (GEP) apoiados pelo Centro de Estudos Psiquiátricos Américo Bairral (Cepab).

Grupo de Estudos Psicanalíticos (GEP) apoiados pelo Centro de Estudos Psiquiátricos Américo Bairral (Cepab).

Grupo de Estudos Psicanalíticos (GEP) apoiados pelo Centro de Estudos Psiquiátricos Américo Bairral (Cepab).

Cine Psiquiatria: “A Pequena Miss Sunshine”

No mês de março o projeto “Cine Psiquiatria” exibiu o filme “A Pequena Miss Sunshine”, tendo como mediadora a médica-residente R2 Dra. Nicole Nunes. Trata-se de uma produção norte-americano de 2006 dirigida pelo casal Jonathan Dayton e Valerie Faris que nos propicia um estudo detalhado sobre a dinâmica de uma família. A película enfatiza a questão da individualização das pessoas que compõem a família e dividem o mesmo ambiente, são preocupados com o sustento, no que diz respeito à situação financeira, todavia é visível o desinteresse de cada integrante deste núcleo familiar no tocante a implicar-se com os problemas, angústias e sofrimentos do outro dentro do ambiente familiar. Tal fato aparece de modo sintomático na medida em que a família é apresentada aos observadores de modo individual, cada um com o seu nome, unicamente com o seu primeiro nome, e envolvido em seus sofrimentos psíquicos e interesses pessoais.

O filme também traz uma crítica ao culto à beleza, aos estigmas de vencedores e perdedores, sugerindo que a vida não é um concurso permanente. A vida é fracassar, perder, cair, e, por fim, levantar-se para novamente empurrar aquela velha kombi no caminho certo, como bem observado pelo vovô na frase “O verdadeiro fracassado não é alguém que não vence.O verdadeiro fracassado é aquele que tem tanto medo de não vencer que não chega a tentar”.

Médicos Residentes juntamente com Dra. Alessandra Diehl presentes no projeto “Cine Psiquiatria” com o filme “A Pequena Miss Sunshine”.

Médicos Residentes juntamente com Dra. Alessandra Diehl presentes no projeto “Cine Psiquiatria” com o filme “A Pequena Miss Sunshine”.

“Cine Psiquiatria” exibiu o filme “A Pequena Miss Sunshine”, tendo como mediadora a médica-residente R2 Dra. Nicole Nunes.

“Cine Psiquiatria” exibiu o filme “A Pequena Miss Sunshine”, tendo como mediadora a médica-residente R2 Dra. Nicole Nunes.

CEPAB, Será que temos evidência científica suficiente para afirmar que BDSM é apenas uma prática sexual variante?

No dia 7 de março o Centro de Estudos Psiquiátricos Américo Bairral (Cepab), uma das federadas paulistas da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), trouxe para discussão um tema atual e ainda bastante polêmico tanto no meio científico quanto entre leigos, ao retratar uma breve revisão sobre uma prática sexual conhecida como Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo (BDSM).

O encontro teve como palestrantes a médica psiquiatra Dra. Alessandra Diehl (preceptora da residência médica em psiquiatria do Instituto Bairral e atual presidente do Cepab) e o médico R3 em psiquiatria Dr. Paulo Roberto Santana. Os palestrantes explicaram que muito embora estas práticas sexuais tenham ganhado mais repercussão apenas nos últimos 15 ou 20 anos, é sabido que o Kama Sutra de Vatsyayana já as descrevia com tipos de tapas e de mordidas. BDSM também é descrito habitualmente nas artes da Idade Média e é o assunto de algumas das primeiras fotografias do século XIX. Os termos sadismo e masoquismo têm influência histórica e são “homenagens” aos escritores Marquês de Sade e Leopold von Sacher-Masoch. O Marques de Sade foi um filósofo francês que passou grande parte da vida preso e isolado devido às suas obras de conteúdo erótico, que contavam histórias de mulheres torturadas por prazer. Já Leopold Masoch era um jornalista austríaco cuja obra mais famosa fala de um personagem que atinge o orgasmo ao ser espancado e humilhado pelo amante da esposa. No entanto, nem Sade nem Masoch são os precursores do BDSM. Não há um consenso sobre a origem exata das práticas BDSM.

Tanto o Dr. Paulo Santana quanto a Dra Alessandra Diehl enfatizaram que o BDSM necessita ser seguro e consensual para ser considerado uma prática sexual variante, sendo importante diferenciar estupro e violência; afirmam que ainda existem muito poucos estudos científicos sobre este tema disponíveis atualmente, havendo necessidade de se expandir a evidência a respeito desta questão a fim de evitar patologizações desnecessárias ou desassistência para aqueles que buscam alguma forma de ajuda e/ou orientação clínica.

Residente dr. Paulo Santana juntamente com dra Alessandra Diehl.

Residente dr. Paulo Santana juntamente com dra Alessandra Diehl.

Codependência Entre Famílias de Usários de Álcool e Outras Drogas: De Fato uma Doença?

A revista “Debates em Psiquiatria” (RDP) da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) acaba de publicar artigo científico produzido por duas assistentes sociais do Instituto Bairral, Dalzira da Silva (que atua no 4.° andar da Seção Masculina do Prédio Central – Setor de Dependência Química para pacientes do SUS) e Aline Bosso (da unidade externa Mirante, destinada ao tratamento de dependência química de pacientes particulares e de convênios), juntamente com a médica psiquiatra Dra. Alessandra Diehl (preceptora da residência médica em psiquiatria do Instituto Bairral). O foco do artigo é o conceito de codependência, que, muito embora seja bastante popular no meio clínico do campo das dependências químicas, segue sendo considerado um constructo muito criticado e controverso no meio científico. Dalzira da Silva diz que “o objetivo foi avaliar o estado da arte sobre o constructo de codependência de familiares de usuários de álcool e outras drogas, quanto à etiologia e outros possíveis fatores relacionados, através de uma revisão da literatura”.

Os resultados retratam que o conceito de codependência segue teorizado e pouco explorado de forma empírica. Tentativas de escalas de rastreio foram realizadas sem replicações de estudos de campo. De uma forma geral, aqueles que se auto- identificam como pessoas codependentes, uma vez que recebem suporte relatam alguns benefícios positivos. O termo, mais do que um conceito psicológico de fato validado, parece representar um movimento social que deu empoderamento aos membros das famílias de usuários de álcool e outras drogas. A Dra. Alessandra Diehl conclui que “mais estudos de campo sobre a validação conceitual da codependência e os fatores a ela relacionados devem ser conduzidos, a fim de corroborar a sua real utilidade clínica e ampliação de evidência da existência deste fenômeno.”

O artigo poderá ser acessado na íntegra em sua versão on line na página da ABP tão logo esteja disponível para download.

Aline Bosso (da unidade externa Mirante, destinada ao tratamento de dependência química de pacientes particulares e de convênios), juntamente com a médica psiquiatra Dra. Alessandra Diehl (preceptora da residência médica em psiquiatria do Instituto Bairral) e Dalzira da Silva (que atua no 4.° andar da Seção Masculina do Prédio Central – Setor de Dependência Química para pacientes do SUS).

Aline Bosso (da unidade externa Mirante, destinada ao tratamento de dependência química de pacientes particulares e de convênios), juntamente com a médica psiquiatra Dra. Alessandra Diehl (preceptora da residência médica em psiquiatria do Instituto Bairral) e Dalzira da Silva (que atua no 4.° andar da Seção Masculina do Prédio Central – Setor de Dependência Química para pacientes do SUS).