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Mais um Mestre em Ciências da Saúde Recém Aprovado no Circuito da Psiquiatria

No dia 14 de março o Dr. Nelson Antonio, psiquiatra plantonista do Instituto Bairral, defendeu tese de mestrado no programa de pós-graduação da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Sua pesquisa foi desenvolvida acerca do tema da prevalência de dependência de sexo em uma amostra de dependentes químicos. Os dados corroboram a alta prevalência desta associação em amostras clínicas de pacientes usuários de drogas, chamando a atenção para a melhora dos “screenings”, diagnósticos e terapêuticas integradas nestes pacientes por parte das equipes de saúde que lidam com dependência química. Os colegas do Bairral parabenizam o Dr. Nelson pela conquista.

Dr. Nelson Antonio, médico plantonista do Instituto Bairral de Psiquiatria, com sua banca avaliadora, após a defesa de tese de mestrado na Santa Casa de Misericordia de São Paulo.

Dr. Nelson Antonio, médico plantonista do Instituto Bairral de Psiquiatria, com sua banca avaliadora, após a defesa de tese de mestrado na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.

Psicoeducação: Uma Valiosa Ferramenta na Luta Contra o Estigma

Na primeira semana de fevereiro o médico-residente do primeiro ano da residência em psiquiatria do Instituto Bairral R1 Dr. Rafael Silva utilizou-se da ferramenta didática da técnica de psicoeducação, já bastante conhecida no meio clínico, educacional e social, para falar sobre a esquizofrenia aos pacientes internados no Espaço Girassol (setor SUS de dependência química do hospital). O Dr. Rafael trouxe dados de estatística, características e apresentação de sintomas e também um desenho animado que conta uma breve história do menino Bruno, personagem portador de esquizofrenia.

O principal objetivo dessa atividade foi aumentar o conhecimento sobre a doença, a fim de que o estigma e os estereótipos relacionados aos seus portadores possam ser cada vez mais diminuídos com informação adequada. Esse estigma provém muitas vezes do medo do desconhecido, de um conjunto de falsas crenças originadas da falta de conhecimento e compreensão a respeito da mesma, as quais em geral são também reproduzidas pela mídia e por leigos quando usam expressões como “o mendigo”, “o louco”, “o maluco”, “o andarilho” ou “aquele que fala sozinho”. Os pacientes apreciaram muito a explanação e fizeram várias perguntas ao Dr. Rafael, que respondeu com brilho a todas elas.

Médico-residente do primeiro ano da residência em psiquiatria do Instituto Bairral R1 Dr. Rafael Silva.

Médico-residente do primeiro ano da residência em psiquiatria do Instituto Bairral R1 Dr. Rafael Silva.

Cine Psiquiatria: “A Pequena Miss Sunshine”

No mês de março o projeto “Cine Psiquiatria” exibiu o filme “A Pequena Miss Sunshine”, tendo como mediadora a médica-residente R2 Dra. Nicole Nunes. Trata-se de uma produção norte-americano de 2006 dirigida pelo casal Jonathan Dayton e Valerie Faris que nos propicia um estudo detalhado sobre a dinâmica de uma família. A película enfatiza a questão da individualização das pessoas que compõem a família e dividem o mesmo ambiente, são preocupados com o sustento, no que diz respeito à situação financeira, todavia é visível o desinteresse de cada integrante deste núcleo familiar no tocante a implicar-se com os problemas, angústias e sofrimentos do outro dentro do ambiente familiar. Tal fato aparece de modo sintomático na medida em que a família é apresentada aos observadores de modo individual, cada um com o seu nome, unicamente com o seu primeiro nome, e envolvido em seus sofrimentos psíquicos e interesses pessoais.

O filme também traz uma crítica ao culto à beleza, aos estigmas de vencedores e perdedores, sugerindo que a vida não é um concurso permanente. A vida é fracassar, perder, cair, e, por fim, levantar-se para novamente empurrar aquela velha kombi no caminho certo, como bem observado pelo vovô na frase “O verdadeiro fracassado não é alguém que não vence.O verdadeiro fracassado é aquele que tem tanto medo de não vencer que não chega a tentar”.

Médicos Residentes juntamente com Dra. Alessandra Diehl presentes no projeto “Cine Psiquiatria” com o filme “A Pequena Miss Sunshine”.

Médicos Residentes juntamente com Dra. Alessandra Diehl presentes no projeto “Cine Psiquiatria” com o filme “A Pequena Miss Sunshine”.

“Cine Psiquiatria” exibiu o filme “A Pequena Miss Sunshine”, tendo como mediadora a médica-residente R2 Dra. Nicole Nunes.

“Cine Psiquiatria” exibiu o filme “A Pequena Miss Sunshine”, tendo como mediadora a médica-residente R2 Dra. Nicole Nunes.

CEPAB, Será que temos evidência científica suficiente para afirmar que BDSM é apenas uma prática sexual variante?

No dia 7 de março o Centro de Estudos Psiquiátricos Américo Bairral (Cepab), uma das federadas paulistas da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), trouxe para discussão um tema atual e ainda bastante polêmico tanto no meio científico quanto entre leigos, ao retratar uma breve revisão sobre uma prática sexual conhecida como Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo (BDSM).

O encontro teve como palestrantes a médica psiquiatra Dra. Alessandra Diehl (preceptora da residência médica em psiquiatria do Instituto Bairral e atual presidente do Cepab) e o médico R3 em psiquiatria Dr. Paulo Roberto Santana. Os palestrantes explicaram que muito embora estas práticas sexuais tenham ganhado mais repercussão apenas nos últimos 15 ou 20 anos, é sabido que o Kama Sutra de Vatsyayana já as descrevia com tipos de tapas e de mordidas. BDSM também é descrito habitualmente nas artes da Idade Média e é o assunto de algumas das primeiras fotografias do século XIX. Os termos sadismo e masoquismo têm influência histórica e são “homenagens” aos escritores Marquês de Sade e Leopold von Sacher-Masoch. O Marques de Sade foi um filósofo francês que passou grande parte da vida preso e isolado devido às suas obras de conteúdo erótico, que contavam histórias de mulheres torturadas por prazer. Já Leopold Masoch era um jornalista austríaco cuja obra mais famosa fala de um personagem que atinge o orgasmo ao ser espancado e humilhado pelo amante da esposa. No entanto, nem Sade nem Masoch são os precursores do BDSM. Não há um consenso sobre a origem exata das práticas BDSM.

Tanto o Dr. Paulo Santana quanto a Dra Alessandra Diehl enfatizaram que o BDSM necessita ser seguro e consensual para ser considerado uma prática sexual variante, sendo importante diferenciar estupro e violência; afirmam que ainda existem muito poucos estudos científicos sobre este tema disponíveis atualmente, havendo necessidade de se expandir a evidência a respeito desta questão a fim de evitar patologizações desnecessárias ou desassistência para aqueles que buscam alguma forma de ajuda e/ou orientação clínica.

Residente dr. Paulo Santana juntamente com dra Alessandra Diehl.

Residente dr. Paulo Santana juntamente com dra Alessandra Diehl.

Codependência Entre Famílias de Usários de Álcool e Outras Drogas: De Fato uma Doença?

A revista “Debates em Psiquiatria” (RDP) da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) acaba de publicar artigo científico produzido por duas assistentes sociais do Instituto Bairral, Dalzira da Silva (que atua no 4.° andar da Seção Masculina do Prédio Central – Setor de Dependência Química para pacientes do SUS) e Aline Bosso (da unidade externa Mirante, destinada ao tratamento de dependência química de pacientes particulares e de convênios), juntamente com a médica psiquiatra Dra. Alessandra Diehl (preceptora da residência médica em psiquiatria do Instituto Bairral). O foco do artigo é o conceito de codependência, que, muito embora seja bastante popular no meio clínico do campo das dependências químicas, segue sendo considerado um constructo muito criticado e controverso no meio científico. Dalzira da Silva diz que “o objetivo foi avaliar o estado da arte sobre o constructo de codependência de familiares de usuários de álcool e outras drogas, quanto à etiologia e outros possíveis fatores relacionados, através de uma revisão da literatura”.

Os resultados retratam que o conceito de codependência segue teorizado e pouco explorado de forma empírica. Tentativas de escalas de rastreio foram realizadas sem replicações de estudos de campo. De uma forma geral, aqueles que se auto- identificam como pessoas codependentes, uma vez que recebem suporte relatam alguns benefícios positivos. O termo, mais do que um conceito psicológico de fato validado, parece representar um movimento social que deu empoderamento aos membros das famílias de usuários de álcool e outras drogas. A Dra. Alessandra Diehl conclui que “mais estudos de campo sobre a validação conceitual da codependência e os fatores a ela relacionados devem ser conduzidos, a fim de corroborar a sua real utilidade clínica e ampliação de evidência da existência deste fenômeno.”

O artigo poderá ser acessado na íntegra em sua versão on line na página da ABP tão logo esteja disponível para download.

Aline Bosso (da unidade externa Mirante, destinada ao tratamento de dependência química de pacientes particulares e de convênios), juntamente com a médica psiquiatra Dra. Alessandra Diehl (preceptora da residência médica em psiquiatria do Instituto Bairral) e Dalzira da Silva (que atua no 4.° andar da Seção Masculina do Prédio Central – Setor de Dependência Química para pacientes do SUS).

Aline Bosso (da unidade externa Mirante, destinada ao tratamento de dependência química de pacientes particulares e de convênios), juntamente com a médica psiquiatra Dra. Alessandra Diehl (preceptora da residência médica em psiquiatria do Instituto Bairral) e Dalzira da Silva (que atua no 4.° andar da Seção Masculina do Prédio Central – Setor de Dependência Química para pacientes do SUS).

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