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Codependência Entre Famílias de Usários de Álcool e Outras Drogas: De Fato uma Doença?

A revista “Debates em Psiquiatria” (RDP) da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) acaba de publicar artigo científico produzido por duas assistentes sociais do Instituto Bairral, Dalzira da Silva (que atua no 4.° andar da Seção Masculina do Prédio Central – Setor de Dependência Química para pacientes do SUS) e Aline Bosso (da unidade externa Mirante, destinada ao tratamento de dependência química de pacientes particulares e de convênios), juntamente com a médica psiquiatra Dra. Alessandra Diehl (preceptora da residência médica em psiquiatria do Instituto Bairral). O foco do artigo é o conceito de codependência, que, muito embora seja bastante popular no meio clínico do campo das dependências químicas, segue sendo considerado um constructo muito criticado e controverso no meio científico. Dalzira da Silva diz que “o objetivo foi avaliar o estado da arte sobre o constructo de codependência de familiares de usuários de álcool e outras drogas, quanto à etiologia e outros possíveis fatores relacionados, através de uma revisão da literatura”.

Os resultados retratam que o conceito de codependência segue teorizado e pouco explorado de forma empírica. Tentativas de escalas de rastreio foram realizadas sem replicações de estudos de campo. De uma forma geral, aqueles que se auto- identificam como pessoas codependentes, uma vez que recebem suporte relatam alguns benefícios positivos. O termo, mais do que um conceito psicológico de fato validado, parece representar um movimento social que deu empoderamento aos membros das famílias de usuários de álcool e outras drogas. A Dra. Alessandra Diehl conclui que “mais estudos de campo sobre a validação conceitual da codependência e os fatores a ela relacionados devem ser conduzidos, a fim de corroborar a sua real utilidade clínica e ampliação de evidência da existência deste fenômeno.”

O artigo poderá ser acessado na íntegra em sua versão on line na página da ABP tão logo esteja disponível para download.

Aline Bosso (da unidade externa Mirante, destinada ao tratamento de dependência química de pacientes particulares e de convênios), juntamente com a médica psiquiatra Dra. Alessandra Diehl (preceptora da residência médica em psiquiatria do Instituto Bairral) e Dalzira da Silva (que atua no 4.° andar da Seção Masculina do Prédio Central – Setor de Dependência Química para pacientes do SUS).

Aline Bosso (da unidade externa Mirante, destinada ao tratamento de dependência química de pacientes particulares e de convênios), juntamente com a médica psiquiatra Dra. Alessandra Diehl (preceptora da residência médica em psiquiatria do Instituto Bairral) e Dalzira da Silva (que atua no 4.° andar da Seção Masculina do Prédio Central – Setor de Dependência Química para pacientes do SUS).

Declaração de Mallorca reconhece a Comunidade Terapêutica como uma das abordagens mais eficazes para a reabilitação e reinserção dos dependentes químicos e suas famílias em todo o mundo

O WFTC (Federação Mundial das Comunidades Terapêuticas) é uma associação internacional que tem por objetivo reunir e apoiar o amplo movimento global das CTs em todo o mundo. O WFTC fornece cooperação, compreensão e orientação.

A Declaração de Mallorca foi aprovada em 3 de dezembro de 2016, na cidade de Palma de Mallorca, na Espanha, no âmbito da celebração do V Instituto da Federação Mundial de Comunidades Terapêuticas (WFTC), organizado pelo projeto Início Baleares e Associação Projeto Homem. Participaram mais de 150 especialistas em dependência química e comunidades terapêuticas de 26 países. Maurício Landre, Coordenador Técnico da CT Santa Carlota, um serviço do Instituto Bairral de Psiquiatria, foi um dos representantes brasileiros. Essa Declaração é o resultado de três dias de deliberações e contribuições de grupos de trabalho sob a liderança do Conselho da WFTC e membros do Comitê Científico do Instituto.

A Declaração de Mallorca é baseada em um conjunto de ações, recomendações e acordos sobre cuidados universais, tratamento, reabilitação e reinserção social da população de adictos, que inclui a prevenção da dependência química, a fim de implementá-las nos próximos dez anos, até 2026. A Declaração foi criada em 2010 na cidade italiana de Gênova durante o Instituto WFTC IV, organizado pelo CEIS Genoa.

A Declaração de Mallorca reconhece a Comunidade Terapêutica como um dos procedimentos de  reabilitação mais eficazes de  reinserção de dependentes químicos e suas famílias em todo o mundo.

Todos os participantes se comprometem a realizar as ações e recomendações expressas na Declaração e movê-las para suas comunidades terapêuticas e o resto da comunidade regional e internacional.

PRINCÍPIOS GERAIS

A Declaração de Mallorca foi preparada sob os seguintes princípios gerais:

COMPROMISSO COM AS PESSOAS

O trabalho das CTs é totalmente focado em fornecer o melhor serviço para aqueles que sofrem por causa de sua adicção, bem como para o seu ambiente social e familiar e suas comunidades em todo o mundo. Também estamos comprometidos com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, a Declaração dos Direitos da Criança e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

INOVAÇÃO
Reconhece a eficácia dos elementos essenciais das comunidades terapêuticas e a ampla variedade de metodologias e abordagens adaptados para as CTs de cada região do mundo. A pesquisa e a evidência prática com base são reforçadas.

PARTICIPAÇÃO
A Declaração foi adotada pelos participantes do Instituto WFTC V, na sequência de um processo sistemático e participativo, com consenso e transparência.

ALCANCE
As propostas da Declaração são específicas, claras e mensuráveis. As conclusões são realistas, exequíveis e acessíveis.

DIVULGAÇÃO
A difusão ativa desta Declaração será feita para todas as CTs. Também será divulgada a todos os interessados em níveis local, nacional e internacional, instituições da sociedade civil, organizações profissionais, sociedade civil organizada e famílias.

PRINCIPAIS QUESTÕES

As CTs atendem a uma ampla variedade de perfis de dependentes químicos, e destacam, especificamente, o aumento de grupos em situação de vulnerabilidade como mulheres, crianças, pessoas em situação de rua, pessoas com HIV, hepatite C, comorbidades e apenados.

As intervenções devem ser adaptadas às necessidades dos usuários e sua diversidade cultural, econômica, social e religiosa.

É essencial que os representantes de organizações internacionais e regionais, governos, sociedade civil e do setor privado reconheçam o papel do movimento das Comunidades Terapêuticas na resolução de problemas relacionados com o álcool e outras drogas e o consequente sofrimento dos usuários e seus familiares. As CTs estão na luta contra a estigmatização da população usuária de álcool e outras drogas.

As CTs estão introduzindo dispositivos de rastreamento para melhorar a reinserção social dos usuários. Esta monitorização é essencial para reduzir episódios de recaída.

Famílias e outras redes sociais tornam-se fatores-chave durante o tratamento na CT e devemos incentivar a sua participação neste processo.

A promoção da investigação e de resultados baseados em evidências científicas é crucial para a sustentabilidade das CTs. Também convidamos todas as organizações a participar na publicação de artigos científicos e em colaboração com a comunidade acadêmica e de pesquisa.

Apelamos ao WFTC e todos os seus membros para realizar estudos de custo-benefício para demonstrar o valor do modelo de CT para as partes interessadas.

Reconhecemos que a transparência e a responsabilidade são aspectos fundamentais do funcionamento das organizações. Estes são os pré-requisitos para a obtenção e manutenção da credibilidade dos governos e da sociedade civil organizada.

Em muitos países as CTs são subfinanciadas. Nós encorajamos os políticos para apoiar as CTs responsáveis porque fornecem uma ajuda insubstituível para a recuperação de dependentes químicos. É urgente diversificar os recursos e explorar alternativas de financiamento.

O WFTC irá reforçar a presença e movimento a favor da CT nas organizações e fóruns internacionais, em colaboração com as federações e redes da sociedade civil regionais.

Nós reconhecemos que as equipes das CTs necessitam de treinamento e educação continuada, orientação, assistência e supervisão externa. Você deve cuidar do bem-estar dos funcionários para minimizar a possibilidade de ocorrência de esgotamento e/ou exaustão dos mesmos.

A liderança da CT deve ser inspiradora, transparente e servir a comunidade e organizações. O movimento das CTs está evoluindo para novos modelos de liderança organizacional. A renovação dos líderes é muito importante e pode ser alcançada por meio de planos de sucessão cuidadosamente projetados.

Comunidades Terapêuticas requerem equipes interdisciplinares de profissionais, incluindo os profissionais com experiência vital para lidar com a complexidade da dependência do álcool e outras drogas dentro de um modelo biopsicossocial. A identidade do pessoal CT encontra-se em uma combinação de profissionalismo, dedicação ao serviço e paixão para ajudar as pessoas.

Divulgação através da internet e redes sociais é indispensável para aumentar a conscientização da sociedade sobre os efeitos e as consequências causadas pelo uso de drogas. Este tipo de difusão também ajuda a aumentar a visibilidade da eficácia do modelo da CT.

CONCLUSÃO

Esta Declaração reafirma o compromisso do movimento das CTs para servir e tratar dos dependentes químicos e seu ambiente social e familiar em todo o mundo, restaurando a esperança, dignidade e bem-estar pessoal.

Palma de Mallorca, 3 de dezembro de 2016

Sushma Taylor Jesus Mullor

Presidente da Federação Mundial de Comunidades Terapêuticas

V Comissão Científica do Instituto WFTC

Tradução: - Piti Hauer

Tradução: – Piti Hauer

Curso Aprimoramento no Tratamento da Dependência de Álcool e Drogas

curso fazenda

Bloco “Xô, Mosquito!” contra a dengue envolve todo o Instituto Bairral

No dia 9 de fevereiro, terça-feira de carnaval, foi realizada uma varredura por todo o Instituto Bairral, numa grande campanha de combate ao mosquito Aedes aegypti. A maioria dos funcionários e também os pacientes se envolveram nesse propósito, que durou todo o período da manhã, na qual, munidos de luvas e sacos de lixo, todos integrados recolheram os possíveis focos de criação do mosquito. A alegria estava estampada no rosto dos pacientes, que fizeram da terça-feira de carnaval um momento de descontração, de trabalho em equipe e, acima de tudo, de conscientização. Vários locais de difícil acesso dentro do hospital foram vistoriados, assim como os espaços terapêuticos, campos de futebol, barrancos, etc. Foi uma atividade de grande conscientização para todos, e o Instituto Bairral não poderia estar fora desse movimento, pois preza pela saúde física e mental de seus pacientes e também de seus funcionários. Como resultado, salienta-se o setor de Dependência Química do Prédio Central, que recolheu mais de 150 kg de entulho! Com isso, a campanha atingiu seu objetivo de mobilização e conscientização contra a dengue, zika vírus e chikungunya, e será repetida em outras oportunidades, principalmente neste momento mais crítico e de risco.

Terapeutas Ocupacionais e psicólogas participaram da campanha de combate ao mosquito Aedes aegypti.

Terapeutas Ocupacionais e psicólogas participaram da campanha de combate ao mosquito Aedes aegypti.

Campanha de combate ao mosquito Aedes aegypti.

Campanha de combate ao mosquito Aedes aegypti.

Campanha de combate ao mosquito Aedes aegypti.

Campanha de combate ao mosquito Aedes aegypti.

Funcionários durante campanha de combate ao mosquito Aedes Aegypti.

Funcionários durante campanha de combate ao mosquito Aedes Aegypti.

Funcionários durante campanha de combate ao mosquito Aedes Aegypti.

Funcionários durante campanha de combate ao mosquito Aedes Aegypti.

Funcionários reunidos após campanha de combate ao mosquito Aedes Aegypti.

Funcionários reunidos após campanha de combate ao mosquito Aedes Aegypti.

Conselheiro em Dependência Química Conclui Curso de Aconselhamento

O conselheiro em dependência química Thiago Paquez Lucon concluiu neste semestre o Curso de Aconselhamento em Dependência Química (modalidade virtual) da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas (Uniad) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) com um trabalho de conclusão de curso bastante interessante. Thiago desenvolveu sua dissertação em cima do título “Filho de peixe peixinho é? Crescendo em um ambiente com consumo de álcool e outras drogas”. Indubitavelmente os temas “família de usuários de álcool e outras drogas” e “filhos de dependentes químicos” têm importante relevância tanto do ponto de vista científico quanto do social-econômico e de políticas públicas. Percebe-se um crescente embasamento teórico e um arsenal científico nessa linha, principalmente na literatura internacional sobre as psicopatologias em filhos de dependentes químicos, como elucida o caso clínico descrito por Thiago. Na breve revisão bibliográfica realizada por ele constatou-se um enfoque maior dos estudos de prevalência no pai dependente químico e alguns poucos estudos abordando mais diretamente a dependência química da mãe e a influência desta no desenvolvimento infantil e puberal, bem como o aparecimento de psicopatologia em seus filhos. Por outro lado, a contribuição da psicanálise em uma revisão dos principais postulados psicanalíticos acerca dos transtornos pelo uso de substâncias psicoativas mostra o frequente comprometimento da função paterna, o funcionamento simbiótico e o narcisismo em usuários de álcool e drogas, os quais parecem merecer mais atenção em processos terapêuticos. As crescentes estatísticas de prevalência de transtornos psicopatológicos em filhos de dependentes químicos certamente justificam os programas preventivos dirigidos a essa população. Segundo Thiago, “existe uma necessidade de ampliação desta estratégia preventiva a fim de minimizarmos os danos em filhos de dependentes químicos causados pelo uso de substâncias psicoativas em uma família, evitando a inexorável repetição geracional de morbidade, a fim de que possamos quebrar o ciclo e dizer um dia: ‘Filho e peixe, nem sempre peixinho é!’”.

Conselheiro em dependência química Thiago Paquez Lucon

Conselheiro em dependência química Thiago Paquez Lucon