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Mensagem do Presidente

Ao nos aproximarmos do final de mais um ano, e fazendo um retrospecto de nossa trajetória, não posso deixar de considerar, com imensa alegria, que tivemos durante 2010 mais um período extraordinário para a nossa instituição. De fato, muitos dos nossos anseios, acalentados há anos, estão se tornando realidade, citando, para ficar apenas em um exemplo, a criação da Residência Médica em Psiquiatria, já autorizada pelas autoridades competentes e que deverá entrar em funcionamento no segundo semestre de 2011.

Além de todos os aperfeiçoamentos conseguidos ao longo deste ano, como parte da nossa constante busca pela excelência, que é a nossa marca, a nossa filosofia. Lembrando, contudo, como é óbvio, que excelência não é algo que se alcança, mas apenas algo que se busca, pois, como ocorre com tudo em nossa vida, quanto mais nos elevamos, mais amplos se descortinam os horizontes, permitindo-nos ver aquilo que antes não víamos.

Assim também acontece conosco, como instituição. Quanto mais crescemos e nos aperfeiçoamos, mais percebemos que ainda temos um caminho a percorrer, novas expectativas se abrem e maiores se tornam os desafios. E os desafios se tornam maiores porque já estamos num padrão elevado. Como é notório, quando se parte de um patamar baixo, qualquer avanço parece significativo, e fácil de ser obtido. Mas quando se parte de uma base já bastante elevada, os esforços para ir além se tornam significativamente mais difíceis.

O Instituto Bairral já é uma referência nacional em psiquiatria hospitalar. Dessa forma, aperfeiçoar o que já é bom é muito mais complicado. Mas esses são desafios que temos de enfrentar, para podermos crescer cada vez mais, cientes de que, num mundo competitivo como o atual,  quem não avançar acabará atropelado pelos que vêm atrás.

Quero aproveitar a oportunidade para apresentar a todos os nossos funcionários os sinceros agradecimentos do Conselho Diretor da Fundação pela dedicação, pela identificação da maioria com os nossos propósitos e objetivos, colaboração sem a qual não teríamos obtido os expressivos resultados que obtivemos neste e também nos anos anteriores.

Afirmo convictamente que encaro o futuro com otimismo. Estou certo de que conseguiremos manter a nossa casa no rumo certo, para que ela cumpra cada vez melhor o seu objetivo de se constituir em posto de socorro para os nossos irmãos atingidos por essa difícil prova que é a doença mental. E certos de que Jesus não nos desamparará se procurarmos aliar a maior competência técnica com o mais puro espírito de fraternidade, pois estaremos nos transformando, ainda que modestamente, em instrumento da sua misericórdia, na medida em que possamos minorar os sofrimentos e as angústias das pessoas colocadas na condição de necessitadas do nosso auxílio.

Isso tudo sem descurar do bem-estar dos nossos funcionários, objeto também de nossa preocupação. Apesar das limitações e das incertezas decorrentes da atuação do Poder Público, que nem sempre se posiciona ao nosso lado, procuramos e vamos continuar procurando oferecer o máximo de benefício aos nossos servidores, para termos, assim, um ambiente de trabalho acolhedor, no qual as pessoas se sintam bem e possam trabalhar com satisfação.

Encerro desejando a todos um Feliz Natal e um Ano Novo pleno de realizações, com muita paz, saúde e amor.

Alberto Luís de Mello Rosatto

Presidente do Conselho Diretor

Patologia em foco: Dependência Química

Quando falamos em dependência química abrimos um imenso leque de conceitos relacionados a questões clínicas, comportamentais, legais, sociais e culturais. Além do mais, deparamo-nos com um crescente número de substâncias psicoativas (SPA) disponibilizadas no “mercado”, de modo que seria impossível abranger todos estes aspectos neste artigo.

Antes de tudo é importante alinhavar alguns conceitos relacionados ao uso de SPA e que nos permitirão compreender melhor os critérios diagnósticos e as formas clínicas da dependência.

A dependência de uma substância é um fenômeno que envolve aspectos biológicos e psicológicos que foram considerados na elaboração dos atuais critérios diagnósticos. Embora apresentem algumas diferenças, a Classificação Internacional de Doenças (CID-10) e o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-IV) consideram aspectos em comum no diagnóstico da dependência de substâncias.

Em linhas gerais podemos fazer as seguintes caracterizações:

  • Tolerância – Necessidade de quantidades crescentes de determinada substância para obter um determinado efeito, ou redução do efeito com o uso continuado da mesma quantidade.
  • Abstinência – Sinais e sintomas físicos e psíquicos que surgem em decorrência da interrupção ou redução do consumo de determinada substância, e que em geral impulsionam ao uso para aliviar tais sintomas.
  • Descontrole – Desejo e falha em reduzir ou controlar o uso.
  • Saliência do comportamento – Prioridade do consumo em detrimento de outras atividades ou responsabilidades, com significativa utilização do tempo no sentido de usar ou obter a substância. Uso apesar da consciência do malefício.

Também recebe classificação o uso nocivo, que exclui os critérios para dependência, mas considera danos tanto nas esferas física quanto psíquica e até mesmo social e legal.

O uso de SPA pode levar aos estados de dependência e uso nocivo, como já citado, mas também a comprometimentos agudos e crônicos tais como intoxicação aguda, síndrome de abstinência, transtornos psicóticos e alterações cognitivas.

As principais classes de SPA conhecidas são: álcool, anfetaminas, cafeína, cannabis, cocaína, alucinógenos, inalantes, nicotina, opióides, fenciclidina e sedativos.

O quadro abaixo sintetiza as porcentagens de uso de diversas substâncias em um levantamento realizado por Carlini e cols. em 2005.

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Droga %
Qualquer droga 19,4
Maconha 6,9
Solventes 5,8
Orexígenos 4,3
Benzodiazepínicos 3,3
Cocaína 2,3
Xaropes (codeína) 2,0
Estimulantes 1,5
Opiáceos 1,4
Anticolinérgicos 1,1
Alucinógenos 0,6
Barbitúricos 0,5
Crack 0,4
Merla 0,2
Heroína 0,1

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No Instituto Bairral o tratamento da dependência química envolve abordagem multiprofissional, baseada em um modelo que contempla:

Diagnóstico psiquiátrico e clínico apurados

  • Identificação das frequentes comorbidades (depressão, ansiedade, TDAH, transtorno bipolar)
  • Atividades de reabilitação (grupos terapêuticos, terapia ocupacional e esporte)
  • Assistência de enfermagem
  • Apoio do Serviço Social
  • Grupos de ajuda mútua baseados nos Princípios dos 12 Passos

Contamos com a supervisão técnico-científica do Prof. Dr. Ronaldo Laranjeira, e com a parceria com o Governo do Estado de São Paulo.

Este modelo tem trazido importantes avanços na qualidade de vida dos pacientes, por representar uma forma de atendimento humanizado e cientificamente embasado.

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Autores:

Dr. Marcelo Ortiz de Souza (Médico Psiquiatra do setor de Dependência Química do SUS do Instituto Bairral)

Marjorye A Siqueira (Psicóloga do setor de Dependência Química do SUS do Instituto Bairral)

Dr. Marcelo e Marjorye

Dr. Marcelo e Marjorye

Comunidade Terapêutica Bairral – Um projeto para 2011

Ocorreu no último sábado, dia 11, em São Paulo (SP), com organização da UNIFESP – INPAD e UNIAD e apoio do Consulado Americano, CREMESP, Instituto Bairral, Editora Roca, CNPq e CONEDSP, uma palestra a cargo do Dr. George De Leon focalizando “As Comunidades Terapêuticas e o Tratamento da Dependência Química”. O palestrante é diretor do Center for Therapeutic Community Research em Nova Iorque, professor de Psiquiatria na New York University e autor de várias obras sobre o tema. É considerado o maior especialista em Comunidades Terapêuticas na área de Dependência Química, e sua palestra foi inspiradora. Mostrou como é importante que essa forma de tratamento seja desenvolvida com o maior cuidado conceitual possível, deixando claro que somente os locais que adotam um alto nível de funcionamento dos princípios que regem as relações interpessoais é que podem efetivamente ser chamadas de Comunidades Terapêuticas. E isso num clima muito amistoso e de reconhecimento de que várias formas de locais que são chamadas de Comunidades Terapêuticas, mas que não seguem esses princípios, podem ser úteis aos pacientes. O Dr. De Leon focou sua apresentação nas diferenças entre tratamento e recuperação (recovery). Afirmou que, como psiquiatra, não tinha dúvida de que essa diferença é fundamental no entendimento de tudo que possamos fazer para nossos pacientes. Disse ainda que tratamento compreende episódios que utilizam alto nível técnico e fornecem elementos que possam estabilizar o paciente. Já a recuperação é um processo de longo prazo, do qual a pessoa tem que participar intensamente e modificar não só a  percepção de si mesma, mas também o seu estilo de vida e visão de futuro.

George De Leon recomendou um autor americano, William White, que tem escrito muito sobre recuperação, inclusive com um livro recente muito bom. No entanto, a maioria dos escritos desse autor pode ser acessada por intermédio do site http://www.williamwhitepapers.com.

O Instituto Bairral esteve presente ao evento com o Dr. George De Leon nas pessoas de seu Diretor Administrativo, Nivaldo José Caliman, e seu Diretor de Relações Externas, Dr. Agenor Pares de Lima. É o primeiro passo da instituição rumo ao desenvolvimento de mais um projeto para 2011, a possível transformação da Fazenda Santa Carlota numa Comunidade Terapêutica para dependentes químicos de referência. Nessa empreitada contaremos com a supervisão direta do Prof. Dr. Ronaldo Laranjeira e a presença, em momento oportuno, do próprio Dr. George De Leon.

Dr. George De Leon

Dr. George De Leon

Seminário de Comissão de Ética de Enfermagem

Nos dias 22 e 23 de novembro de 2010 as enfermeiras Daniela Alves Pierozzi e Janete Marcatti Tofanello, respectivamente Presidente e 1.° Membro Efetivo da Comissão de Ética de Enfermagem do Instituto Bairral, participaram do 2.° Seminário de Comissão de Ética de Enfermagem organizado pelo Coren-SP e realizado na capital paulista.

O primeiro dia do evento contou com a participação de enfermeiros que presidem ou fazem parte das comissões de ética de hospitais públicos e privados, como o HC de São Paulo, PUC-Campinas, HC de Botucatu e o Hospital Nipo-Brasileiro.

O tema abordado foi relacionado à atuação da Comissão de Ética de Enfermagem (CEE) e os reflexos na gestão institucional. A comissão de ética, nessas instituições, atua em conjunto com o RH e com o Centro de Educação Continuada e está muito próxima das equipes de enfermagem, seja na parte educativa, informativa, consultiva ou de apoio ao Coren.

Todas as comissões visam a uma assistência de enfermagem com qualidade e segurança, sempre pautadas pelo código de ética profissional e pela legislação que norteia a profissão. O seminário ressaltou a importância da CEE nas instituições, por trazer uma melhora significativa na qualidade da assistência de enfermagem, livrando o paciente de danos causados pela imperícia, negligência ou imprudência.

A advogada do Coren-SP destacou a importância da CEE nos hospitais e sua relação com o Coren. Destacou que os profissionais da área precisam conhecer a legislação de enfermagem e cultivar a ética profissional e os valores pessoais baseados nos fundamentos morais, espirituais e do comportamento humano, como a verdade, a honestidade, a educação e o respeito.

Ainda nesse dia, no período da tarde, registrou-se a participação de enfermeiras que atuam na Secretaria Municipal de Saúde das cidades de Tiradentes, Campinas e Mogi-Mirim, que levaram as experiências e as dificuldades encontradas para formar uma CEE em uma cidade como Campinas, por exemplo, face à complexidade encontrada na área da saúde, além da dificuldade em juntar o grupo para as reuniões. Apesar das adversidades, todas as CEEs estão empenhadas em superar os obstáculos e conquistar o espaço para que a enfermagem demonstre sua competência e sua importância em todas as esferas da saúde, seja ela primária, secundária ou terciária.

O segundo dia do evento teve a participação do enfermeiro fiscal do Coren-SP, que destacou a necessidade de levar o conhecimento da legislação de enfermagem aos cursos técnicos e de graduação, para que os alunos, futuros profissionais, saiam para o campo de trabalho com conhecimento e competência, exercendo a profissão com ética e levando segurança ao paciente. O Coren-SP tem um programa de Julgamento Simulado nos ensinos médio e superior, com boa participação de alunos e professores.

Foram apresentados dois vídeos simulando casos reais nos quais houve erro da enfermagem, levando os pacientes a óbito; nas duas situações as falhas poderiam ter sido evitadas por meio de planejamento e ações corretas.

Foram apresentados relatos das CEEs de três serviços especializados: o Home Care da Dal Ben, o Samu de São Paulo e a Fleury – Medicina e Saúde Diagnóstica. Os enfermeiros responsáveis destacaram as particularidades de cada serviço e a necessidade de uma CEE, devido à dimensão dos problemas vividos no dia-a-dia.

Encerrando o seminário, o Dr. Márcio Fabri, professor da Universidade São Camilo, abordou aspectos como ética e bioética, demonstrando que ambas andam juntas o tempo todo. O evento demonstrou com toda clareza que é necessário aliar o conhecimento técnico-científico aos valores pessoais, da moral e dos bons costumes no exercício profissional.

Enfermagem

Janete Marcatti Tofanello e Daniela Alves Pierozzi

Bastidores: Farmácia do Instituto Bairral

O Instituto Bairral possui uma farmácia central com nove funcionários, dois jovens aprendizes e uma farmacêutica. São três turnos de trabalho para um período diário das 6h00 às 22h00.

O sistema de dispensação de medicamentos adotado é o da dose individualizada, sendo produzidas aproximadamente 24.000 doses mensais. A farmácia é toda informatizada, recebendo on line as prescrições eletrônicas do corpo médico do Hospital, possibilitando maior agilidade no processo. Após receber as prescrições, estas são convertidas em etiquetas para a produção da dose individualizada, utilizando-se quatro bancadas especialmente desenhadas para este fim e que acomodam toda a padronização dos medicamentos. Preocupado com a preservação do meio ambiente, o Instituto Bairral desenvolveu um sistema de embalagem para a dose individualizada usando tiras retornáveis, abandonando assim o uso do plástico simples e das seladoras, e, por consequência, o descarte diário desse material.

No seu estoque, além dos materiais hospitalares, a farmácia mantém 53 produtos padronizados psiquiátricos, 103 produtos padronizados para uso clínico, 70 produtos não padronizados psiquiátricos e atende os pacientes com qualquer medicamento para tratamento clínico que necessite. Nenhum medicamento é utilizado a granel, pois dispomos de seladora de blister para que seja embalado. Todos os medicamentos possuem identificação, comprimido a comprimido, para conferência da enfermagem.

Além da atividade acima descrita, a farmácia também realiza:

  • a venda de medicamentos para os mais de 750 funcionários da instituição, com preços bastante reduzidos;
  • a cotação de preços e as compras do setor; e
  • o treinamento dos médicos para realização da prescrição eletrônica.

O controle informatizado, a prescrição eletrônica, a climatização do ambiente e o sistema de produção e embalagem da dose individualizada facilitam o trabalho da equipe, aumentam a segurança para o paciente e fazem da farmácia do Instituto Bairral modelo para outros hospitais.

Farmácia Bairral

Funcionário da farmácia preparando dose individualizada

Farmácia Bairral

Seladora de blister

Farmácia Bairral

Embalagem retornável da dose individualizada

Farmácia Bairral

Consulta on line da prescrição eletrônica

Farmácia Bairral

Parte da equipe da farmácia do Instituto Bairral

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